Uma gestão eficaz está sempre sintonizada às mudanças do seu tempo, de modo a conduzir todo o corpo cooperativo à obtenção de resultados positivos. Para tanto, procura conduzir os liderados ao aprendizado fundamental, ao mesmo tempo em que procura alargar sua visão.

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Visando uma reflexão sobre percepção de mudanças e construção de resultados cooperativos, abaixo anotamos alguns pontos para reflexão:

  1. O fenômeno da cooperação como ferramenta de aprendizagem e desenvolvimento da sociedade.

O desenvolvimento da doutrina cooperativista, seus princípios e suas contradições refletem o grande desafio do cooperativismo que é conciliar os objetivos sociais e econômicos de seus sócios dentro de uma empresa, da qual seus sócios são donos e usuários. Não faz sentido que a cooperativa seja próspera e seus associados não usufruam dos benefícios dessa prosperidade.  O responsável por essa função em cooperativas deve buscar o equilíbrio entre a saúde financeira da instituição e a necessidade de transferir os benefícios de sua atuação aos sócios. Para tanto, não existem fórmulas prontas.

  1. Mundo em transformação e educação cooperativista

A educação corporativa assume importância com a rápida e até certo ponto caótica globalização do mundo. Isso faz com que se mudem as perspectivas de carreira profissional e a maneira de gerir todos os negócios e propriedades, inclusive com reflexos na família.
Não podemos mais olhar as tarefas, que são exigidas de dirigentes colaboradores e associadas, sempre da mesma maneira. Fugir do tradicional é necessário se quisermos ter sucesso na tarefa de aconselhar, fiscalizar, treinar e desenvolver pessoas, de modo que se sintam bem e produzam resultados para as cooperativas.

  1. As cooperativas precisam dar espetáculo

As cooperativas de sucesso sabem que os associados estão cada vez mais exigentes. Compreendem que as situações que envolvem seus associados e clientes (também os familiares) de forma marcante, conectando-se a eles com estilo pessoal e memorável, oferecendo produtos e serviços de alta qualidade a preço competitivo. Também buscam identificar e realizar os sonhos dos associados e clientes, familiarizando-se com o imaginário deles.
Na era do espetáculo, o trabalho dos funcionários da cooperativa não pode deixar de ser considerado, pois consiste em representar um papel que visa encantar os associados e clientes e criar sensações memoráveis para eles. Em vez de “empregados contratados para um cargo” precisam começar a pensar em “um elenco cooperativo que desempenha papéis decisivos”.         

  1. Quatro razões que viabilizam empreendimentos cooperativos

Primeira razão: capacidade de competição no mercado que as cooperativas possuem, mesmo não sendo capitalistas, uma vez que dispõe de autonomia produtiva, princípio defendido pelo mercado e, simultaneamente, o rechaço pelas formas de economia centralizada, tanto do mercado como do próprio movimento cooperativista de produção.

Segunda razão: capacidade que as cooperativas possuem em responder eficientemente diante das regras de mercado; compromisso com a educação dos membros da cooperativa – para lhes facultar uma participação efetiva; a cooperação entre.

Terceira razão: está no fato de que cooperativas promovem a distribuição igualitária de bens e serviços, conduzindo a coletividade à redução de desigualdades sociais.

Quarta razão: cooperativas operam com base na autogestão, conclamando a todos à participação e à gestão democrática empresarial, o que determina a emancipação e a libertação dos indivíduos, reduzindo, em tese, as divisões sociais construídas em economias centralizadas.

  1. Sete princípios (ou linhas) que orientam o cooperativismo

Os sete princípios do cooperativismo são as linhas orientadoras por meio das quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Foram aprovados e utilizados na época em que foi fundada a primeira cooperativa do mundo, na Inglaterra, em 1844. São eles:

1º – Adesão voluntária e livre – pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros.

2º – Gestão democrática – controladas pelos seus membros, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões.

3º – Participação econômica dos membros – os membros contribuem equitativamente para o capital das suas cooperativas e são donos financeiros.

4º – Autonomia e independência – as cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros, os quais são representados pela liderança.  

5º – Educação, formação e informação – as cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros. Informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação.

6º – Intercooperação – fortalecem o movimento cooperativo trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.

7º – Interesse pela comunidade – as cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros.

  1. Sobrevivência, competitividade e gestão profissional das cooperativas.

Para ajustar suas estruturas à realidade, as cooperativas estão migrando de um comportamento defensivo, característico dos anos 70 e 80, para uma atuação mais agressiva nos mercados finais, por força dos altos níveis de competitividade exigidos pelos novos mercados.

O amadorismo, a improvisação, a tendência ao paternalismo e ao empreguismo, as rivalidades internas e interferências políticas conduzem a acentuadas divergências administrativas, com prejuízos ao desempenho organizacional. A empresa cooperativista terá, portanto de modificar sua postura no mercado na busca de vantagens competitivas que garantam a sua sobrevivência futura.

A implementação de planos de desenvolvimento humano, profissional e empresarial tornam-se cada vez mais necessários.