Reflexões motivacionais para educadores, gestores e pais!

Por Ainor Francisco Lotério

Imaginem a resposta que nos daria um agricultor antigo, que aprendeu a cultivar a terra com seus antepassados e por si,  um autodidata, se o perguntássemos: o que é uma ferramenta?

Certamente ele nos diria: uma ferramenta é algo como o meu machado, a minha foice e a minha enxada, que me possibilitam realizar a limpeza da área, plantar, capinar e colher a minha lavoura.

Agora, se perguntássemos a um agricultor familiar ou empresário do agronegócio o que é uma ferramenta, possivelmente, ele nos falaria de tecnologias inovativas, softwares, máquinas e equipamentos modernos, drones, etc. Ferramentas que exigem muita capacitação e habilidade para que os atuais agricultores possam exercer seu ofício.

Logo, se uma ferramenta é um instrumento que me permite realizar determinados trabalhos, a educação é a grande ferramenta estratégica (tática e certa) que um povo possui para melhorar a sua vida. Faço essa associação ao imaginar que todo pensamento estratégico pensa no pressente, assim também a ferramenta que  uso agora é para aplainar os campos do futuro.

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E o que seria a educação senão a arte ou o ofício de cultivar a lavoura educacional para a produção do conhecimento que liberta e promove a todos? Sugiro ouvir a música “a caneta e a enxada” para melhor entender “essa palavra bonita que se chama educação”. Aliás, a relação entre campo e cidade é cada vez mais profunda, razão pela qual a adotamos nessa reflexão.

Ora, se a terra ficar abandonada não produzirá o fruto que desejamos, pois quando o campo é deixado em pousio as plantas invasoras vicejem ao natural e sem uma direção.

Uma produção útil só é promovida pela implantação de um cultivo planejado e um constante olhar do agricultor.
A educação só caminha na senda da promoção humana quando a mesma é desenvolvida com prioridade real.

Pouca serventia tem lançar uma semente com bom poder germinativo entre as ervas de um campo nativo, pois ela não poderia expressar toda a sua potencialidade. Que sentido tem uma educação que desconsidere a evolução do ser humano na direção de um mundo melhor para todos?

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Olhando para dentro e fora de algumas escolas, podemos ver crianças sem aprender ou aprendendo mal por falta de comprometimento, desatualização e desmotivação de alguns educadores e gestores. E é possível que muitos assim ajam não por  maldade ou de caso pensado, mas por ainda desconhecerem o seu potencial transformador no viés da promoção humana. Educar é manter a terra escolar viva, sustentável, como um bem produtivo, pois educação é pão para todos. Confira abaixo um vídeo para motivar os educadores.

Para a terra produzir há a necessidade de cultivo adequado da semente certa em cada campo.
Para a sociedade evoluir há a necessidade de se aplicar a educação como ferramenta de promoção humana.

Nisso vemos que, de outrora até agora, de igual força, tanto na lavoura como na escola, continua sendo o ser humano a única essência verdadeira que promove e pode ser promovida.

Educar bem é dar atenção à comunidade escolar que se tem, não relegando a planos inferiores essa perspicácia amorosa na direção do despertar de potencialidades humanas, como frequentemente acontece em nosso país e outras nações ainda atrasadíssimas nesse campo.

A atenção do agricultor faz com que a terra seja analisada e vista em profundidade, ou seja, na sua potencialidade real, dispensando à mesma todos os tratos culturais necessários, bem como o fornecimento dos insumos adequados para que a mesma dê “cem por um” e não apenas uma produção irrisória.

A atenção dos educadores deve ser também de profundidade, vendo, mais do que aparências, a essência do desejo que qualquer ser humano tem de evoluir, mesmo que seu presente esteja degradado, assim como a terra não fertilizada.

Educar é desenvolver uma grande missão, é cultivar o ser humano em profundidade para que ele expresse sua potencialidade, pesquisando a fundo o que de melhor poderia ser adicionado ao seu ser, para que ele se torne uma terra fértil em conhecimento.

Assim como a terra é, a princípio, sustentáculo e agente para o crescimento da planta que o agricultor vai cultivar, os alunos são os sustentáculos e os agentes do seu próprio desenvolvimento, mas também do nosso sonho de uma sociedade com mais  justiça e paz.

Ora, se “homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” (Immanuel Kant), então cultivar a terra é fazer dela um bem altamente produtivo. O que ela nos dá não é unicamente para o nosso bem particular, mas para todos, assim como são os frutos da educação.

A Escola é também um bem da Família e os pais só deveriam ter os filhos que pudessem criar e educar (ver campanha de Quaraí-RS). Plantar ou semear sem antes preparar o solo para receber a boa semente, é o mesmo que “fazer filho e não educa-los”. Para melhorarmos uma nação há que se investir em educação a partir do lar e completar a obra na escola. Portanto, é uma tarefa da instituição pública escolar e da família, pois “é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.” (Coelho Neto).

Educação como ferramenta de transformação faz fortalecer as raízes culturais das pessoas, fertiliza a disposição em aprender mais, além de semear a possibilidade da estruturação de uma sociedade mais justa e igualitária, uma vez que seres conscientes não se deixam virar massa de manobra tão facilmente.

Educação é, por assim dizer, a maior estratégia que um governo pode adotar para formar o cerne evolutivo de uma nação.

Educação é uma ferramenta poderosa que engloba todos os processos de ensinar e aprender e não uma forma de depositar nas mentes dos aprendentes o conteúdo que preparamos. Isso requer uma nova motivação nas salas, gabinetes, pais e filhos e pátios escolares.

O ser humano deve se situar no centro do sistema educativo de uma nação, como a terra a ser tornada cada vez mais fértil e produtiva. Todos os esforços devem ser direcionados para educar num horizonte de plenitude, de alegria, de busca da realização pessoal e felicidade social. Educação não é ferramenta de exploração, de escolas e universidades caça-niqueis (veja: Para inflar currículos, pesquisadores publicam em revistas caça-niqueis), onde tais estabelecimentos são erguidos com o objetivo de “ganhar dinheiro”. Educação requer espírito empreendedor educador e não como apenas um negócio.

Assim como o faz o agricultor com seu conhecimento e ferramentas em sua propriedade, a tarefa de cada educador consiste na capacidade de identificar a essência das potencialidades humanas e lançar novas sementes à inquietação do homem.

Educar, assim como se faz com as plantas na lavoura, é manter vivo o amor pelo saber, despertando o coração e ativando a mente de cada ser aprendente (aquele que aprende, o aprendiz, aquele que está em constante busca pelo conhecimento. Veja também Ensinante e Aprendente: a construção da autoria de pensamento). Da mesma forma que a terra expressa em produção o que nela semeamos, não apenas pela fertilidade ou os insumos que nela colocamos, mas como reflexo também das condições climáticas que a envolvem, também a construção do saber (e da cidadania) se deve dar de acordo com a marcha da razão e da adesão livre de cada educando.