Ainor Francisco Lotério

Muitas pessoas têm o hábito de culpar os outros por seus problemas, em lugar de assumirem responsabilidades por isto. Acaba virando um vício. Como culpar alguém ou uma força maior pela má educação e preparo de um filho?

Disposição moral, caráter, temperamento estão presentes em quem se preparou para enfrentar os embates da jornada existencial.

Indisposição moral, falta de caráter, destempero pessoal estão presentes em quem não se preparou para enfrentar a caminhada.

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Modificar a substância, sem lhe alterar a essência é impossível, assim como é impossível alguém mudar de vida sem alterar sua essência comportamental.

Cada ser humano pode ter uma tendência ou uma vocação na vida. Entretanto, quanto mais este ser humano receber orientação vocacional, tanto maior será sua chance de acertar no alvo.

A maneira ou forma particular de fazer as coisas, ou de falar de uma pessoa vem em grande parte da família. E ressalto aqui, que a família é a grande, se não a maior contribuinte para a formação do ser pessoa depois de nós mesmos. A pessoa é portadora de corpo, alma e espírito. E a integração psíquica, parafraseando Santo Agostinho, se dá através do contato que temos com nosso interior. Assim, quando sabemos integrar bem o aprendizado que adquirimos com nossos educadores, muito mais seremos pessoas bem realizadas e íntegras.

A disposição de espírito das pessoas é grandemente influenciada pelo modo de ser da família, especialmente os pais, e seus amigos mais achegados. Os parentes também influenciam muito.

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Agora, o jeito, a habilidade, a destreza que cada pessoa tem é algo que ela pode ter desenvolvido, a partir da descoberta de uma potencialidade e de treinamentos.

Então se isto é possível, porque não nos preocuparmos mais em casa com o modo de ser dos nossos filhos?

Isto é possível de ser feito quando nos fazemos parceiros do seu desenvolvimento e não um policiais ou detetives dos seus comportamentos, xingando-os a todo o momento. Devemos assim, saber promover um diálogo de liberdade para com nossos filhos, promovendo o crescimento constante.

Quanto à maneira de vestir, a moda que nossos filhos e filhas adotam, a nossa capacidade de influenciar também pode ser grande, dependendo da maneira como abordamos.

As diferentes expressões de comportamento de uma mesma pessoa revelam equilíbrio ou falta dele na escola do melhor ensinamento e, em última instância, são reveladores de como as coisas foram processadas dentro de casa. Isto pode ser considerado como um reflexo do lar. Não me refiro aqui se positivos ou negativos, mas, sim a importância que assumo o dia-a-dia dentro de uma casa, lugar de morada da família.

O que posso dizer, por experiência própria e acompanhamento de diversas políticas públicas e projetos de trabalhos junto à comunidade, é que ordem, pedido, conselho, exortação ou súplica fazem bem aos filhos, quando direcionados a eles com sentimento de amor.

Se eles não entenderem agora, entenderão posteriormente. O importante é não desistir enquanto se tem as rédeas nas mãos. Plantamos a semente no hoje para colhê-las futuramente como frutos maduros. Todavia, não basta apenas plantar e colher, pois entre o início e o fim há longo caminho dos cuidados, zelo, educação e toda uma sorte de providência para que tudo dê certo ao final.

Pais, o modo de ser dos pais tem e terá sempre a ver com o modo de ser e de viver dos vossos filhos. Isto é uma obviedade no mundo da psicologia, mas não é muito respeitado entre os pais.

Entendemos também ponderações no que diz respeito às influências do mundo exterior, quando induzem aos nossos filhos comportamentos e atitudes nem sempre percebidas de início pelos pais. Pais esses que quando as percebem nem sempre estão instrumentalizados e preparados para uma ação reparadora ou redirecionadora de comportamentos e atitudes. Sabemos que a velha maneira de educar era mais fácil e simples, quando os pais tinham maior controle sobre os filhos, e menor força possuíam as invasões vindas do mundo exterior para dentro do lar. Todavia, querendo os pais serem pais com segurança, necessário se faz um preparo mais adequado aos novos tempos. Não dá mais para “botar filhos no mundo” sem a condição de educá-los plenamente.