Por Ainor Francisco Lotério

A participação dos pais na vida escolar dos filhos, este tema nos mostra que a melhor escola é a família e os primeiros professores são os pais. Da concepção ao nascimento, do crescimento à formação para ingressar na sociedade não há instituição que possa superar a família na tarefa de educar.

Filhos não são seres personalizados com problemas e desajustes da relação dos pais e da família, para serem depositados na escola e esta que se vire. Filhos são rebentos de um sonho, seres que vêm ao mundo em busca de evolução. Só que essa evolução não acontece plenamente sem a participação de gente tão importante quanto os pais. Mesmo no caso de pais separados a importância é a mesma, uma vez que pais podem se separar, porém a importância destes na vida dos filhos continua a existir sempre.

Arrisco a dizer que a educação humana começa em casa e formação social e profissional se dá na escola. Quando os pais não participam efetivamente da vida escolar dos filhos, acabam perdendo a importância e tornam-se impotentes na educação daquele ser que geriram.

A compreensão dos nossos deveres pessoais, familiares, profissionais, sociais e globais está associada a importância que se dá a formação do filho. Nesse sentido, à participação na escola, lugar onde se trabalham conhecimentos, princípios e valores para toda uma vida no mundo todo.

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Não há educação e formação de qualidade que edifique e qualifique um cidadão sem a comunhão de esforços entre a família e a escola

Conceber e gestar um filho até seu nascimento é um profundo ato de amor. Todavia, deixar de participar intensamente da vida do filho na escola é uma falta grave.

Imaginemos que a escola fosse o segundo ventre de seu filho e a mãe o primeiro. O ginecologista e demais profissionais da medicina, associados aos familiares e amigos seriam os mestres e professores dos “pais de primeira viagem”. Assim também na escola os gestores, professores, servidores e os outros pais seriam de igual forma os mestres e professores dos filhos que lá estão oficialmente matriculados.

A vida escolar é importante demais para que os filhos não receberem a atenção qualificada e dedicada dos pais. O nível de participação em reuniões, visitas à escola, conversas inteligentes, diálogos intergeracionais, discussões interdisciplinares e respeitosas com a direção e professores são meios de se fazer construir um ambiente escolar edificador de seres humanos realizados.

Em meu livro “Pais Frouxos, Filhos Sofredores, Pais Firmes, Filhos Felizes” (pg. 67) digo:

O amor, quando se trata de educação dos filhos como efeito, obra, produto e consequência não é um sentimento apenas, mas um poder que temos em nosso interior para compreender e aceitar a todos, porém promovendo as mudanças e ajustes de conduta que forem necessários”.

Isso é participação dos pais na vida escolar, uma vez que as questões comportamentais são sempre as mais evidenciadas na escola. E comortamento inadequado se forma muito pela perda de autoridade dos pais, falta de limites e de disciplina na vida de muitas crianças.

Quando falamos de pais não devemos deixar de incluir os filhos e filhas sem pais, cuidados por terceiros, os avós,  tios e tias, de modo a considerar a todos como pais. Todavia, é interessante que diferenciemos o que venha a ser “educar em casa”. Primeiro, devemos considerar que na casa há professores e alunos de todas as idades: um aprende e ensina com o outro o tempo todo. Pais de primeira viagem aprendem com os filhos que nascem, desde os primeiros cuidados com o corpo de um ser totalmente dependente.

A não participação dos pais na vida escolar dos filhos é falta grave para o pleno desenvolvimento intelectual, social e profissional das crianças. Acompanhar os filhos na escola não é o que muitos pais fazem. Aliás, alguns vivem xingando professores e dando razão em tudo para seus filhos. Acompanhar a vida dos filhos na escola é se inteirar dos seus deveres. Além disso, conhecer a escola e os professores, inteirar-se da metodologia de ensino-aprendizagem, entre tantas outras atitudes, não e mais obrigação materna e paterna. Da mesma forma, ouvir o filho sobre o que ele tem a dizer a respeito da escola e ficar atento sobre seu nível de evolução é fundamental para o seu pleno desenvolvimento.

Aprofundando o tema

Para aprofundar esse tema cito o trecho de um artigo científico do filósofo e professor Wagner Silva, intitulado “A importância da participação da família na comunidade escolar”, onde ele ressalta já na sua introdução: 

“(…), a escola terá como função preparar o aluno para o futuro e a vivência em sociedade. Será caracterizada como um local onde reúne uma diversidade de conhecimentos e atividades, valores, diferenças e conflitos, que irão constituir um contexto fundamental no desenvolvimento e aprendizado humano. Por fim, será explanado sobre a importância da participação da família no ambiente educacional e os benefícios da relação família-escola para o aprendizado da criança. Quanto maior a participação da família na vida do aluno na escola, maior será o fortalecimento dessa relação”.

Já no final do trabalho, onde podemos beber das conclusões do mesmo, destaco o seguinte pensamento do Professor Wagner, que também é meu colaborador na Empresa Seiva Desenvolvimento e Gestão Empresarial e Humana:

(…) percebe-se que se faz necessário procurar por novas formas de aproximação e interação entre a família e a escola, agindo para que cada uma assuma sua função e suas responsabilidades na formação da criança.

Finalizo dizendo que participação dos pais é fortemente educativa, uma vez que são eles os líderes da escola doméstica, onde a educação começa. Nesse sentido, o lar necessita de líderes familiares, pois aí é o lugar onde há professor e alunos de todas as idades (os pais e avós aprendem com os filhos e netos).

A temática da família associada à Escola é muito presente em nosso trabalho, no Eixo Família, uma de nossas áreas de atuação com palestras, capacitações e cursos para pais, alunos, professores e equipe gestora das escolas.