Um tema novíssimo, porém intrigante e atual, que tive a oportunidade de apresentar como Tese de Conclusão da Graduação em Filosofia, pelo Centro Universitário Claretiano.

O objetivo foi pontuar questões que ajudem a refletir sobre a necessidade de se rever a prática do cooperativismo atual brasileiro, de modo a agregar ao mesmo o conceito de sinodalismo. Suponmos cooperativas mais interessadas pela comunidade, fazendo valer o seu sétimo princípio fundamental que é o “interesse pela comunidade”

Partimos do pressuposto de que no sinodalismo, mais do que no cooperativismo, se trabalha o fulcro comunitário, contemplando a infinidade de diferenças entre as pessoas ou grupos que compõem a vida comunitária.

O que aqui propomos é a tarefa de ampliarmos o conceito de sinodalidade e entender o modo como este influenciará no cooperativismo, uma vez que foram basicamente os cristãos que fundaram o cooperativismo. Como isso ocorreu numa época de dificuldade social, quando o rompimento da Revolução Industrial jogou famílias inteiras no trabalho desumano e sem a conceção de direitos aos trabalhadores.

O tema da “sinodalidade” é de profunda atualidade, pois quando nos referimos ao encontro de pessoas com o objetivo da busca do bem comum, seja em relação aos interesses mundanos ou eternos, ela nos leva a refletir sobre a qualidade das nossas interações e ações tendo o outro como potencializador.

Desse modo, toda ação conjunta, voluntária e objetiva, que tenha como objetivo a melhoria das relações sociais e a geração de renda devem se iniciar por contemplar o conhecimento que fundamente esse modo de agir.

O cooperativismo, movimento de envergadura internacional, tem trazido resultados positivos às comunidades que o adotam obedecendo os fundamentais princípios e valores, mas pode agregar um modo mais sinodal.

De igual modo, a visão sinodal da igreja enseja o caminhar com todos, não importando as diferenças, pois vivemos num mundo que respira a diversidade, devendo se importar mais com a constituição de organizações cooperativas que melhorem a geração de renda das famílias. Trabalhar conceitos de comunhão, colegialidade, cooperação, uma vez que todos estão no coração de quem se reúne para promover o bem da comunidade é o objetivo desse trabalho. Porquanto a cooperativa trabalha por atender os interesses comuns e objetivos dos associados, não pode ela perder de vista seus princípios e valores e convivência na diversidade comunitária, trabalhando pastoralmente a sua organização social.

Consideramos também responder a alguns questionamentos para as relações sociais dessa época, quando as mesmas atingiram uma enorme polarização, com a sociedade dividida em duas grandes classes: a direita e a esquerda. É nesse momento de evidente antagonismo que fica evidente a necessidade de se pesquisar temas que nos levem à cooperação mais elevada, o que intitulamos cooperação sinodal.